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Clipping – G1 – Avanços nos campos social e jurídico são esperança de sociedade sem homofobia

Mudanças chegam a passos lentos, mas alimentam ideal de um mundo sem preconceitos, onde caiba todo mundo.

Ser chamado pelo nome social, ser aceito, sem restrições, nos espaços públicos e ser respeitado pela orientação sexual são conquistas que estão vindo a passos lentos. Mas, no Brasil, país que mais comete crimes violentos contra gays, lésbicas, transgêneros, transexuais e travestis, são esses pequenos avanços, no campo social e jurídico, que alimentam a esperança de um mundo sem preconceitos, onde caiba todo mundo.

Em 23 estados do país, um grupo de mães luta contra a homofobia. É a ONG Mães pela Diversidade, da qual faz parte Myriam Salum. “Eu escolhi amar o meu filho e proteger o meu filho, porque eu quero o meu filho vivo”, diz.

O grupo apoia pais e mães de filhos gays, lésbicas ou que assumem outra identidade de gênero. Nos encontros, as famílias escolhem como conscientizar a sociedade para evitar o preconceito, o ódio e a intolerância.

“Acho que o mais difícil mesmo é esse preconceito que está arraigado dentro de um cotidiano, que o que vai culminando em mortes, em violências, em expulsões de bares, de espaços públicos, de impedir você, de viver sua vida e de ser quem você é”, afirma o filho de Myriam, o sociólogo e produtor cultural Fernando Salum. Ele diz que, para estar seguro, muitas vezes é preciso se limitar.

Para Myriam, é preciso acreditar em um mundo melhor, que inclua todo mundo. “A gente está aqui é para aprender. E os filhos da gente vieram para quebrar esses paradigmas. Então, por que a gente não pode acompanhar? Vamos evoluir junto”, fala.

Nessa caminhada pela garantia dos direitos, houve avanços. Desde 2013, por exemplo, os casais homoafetivos podem realizar o casamento no civil.

Recentemente, em março deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que transexuais e trangêneros podem alterar o nome no registro civil sem realizar a cirurgia de mudança de sexo. Os ministros também decidiram que não é mais preciso autorização judicial para que o transexual mude o documento. Basta ir ao cartório.

“Ela é o reconhecimento de uma lei de promoção de um direito de minorias. Ela está dizendo à sociedade brasileira, olha, essas pessoas têm direitos iguais a vocês, de entrar num cartório, dizer quem ela é e ser reconhecida como ela é. Porque é assim que vocês fazem. Vocês que não são trans e são heterossexuais vão nos lugares e vocês não precisam dizer porque já está dito quem vocês são. Então, o reconhecimento é imediato. Então por que as outras pessoas não podem? Então essa é uma decisão importante de equivalência de direitos”, afirma o professor e coordenador do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Marco Aurélio Máximo Prado.

O reconhecimento de direitos permitiu que o amor de Renata Amaral e da companheira dela fosse formalizado. Elas se casaram no civil em 2013. Foi o primeiro casamento homoafetivo no cartório de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Como em tantos outros casamentos, houve a celebração do amor e dos sonhos. Houve rituais. Elas se vestiram de noiva, saíram de moto, uma paixão das duas. E tudo ficou eternizado no álbum. A vida seguiu igual a de qualquer casal. E veio o desejo de ampliar a família. A partir de uma fertilização in vitro, nasceram Theo e Artur.

Quem sofre com o ódio, com o preconceito, com a intolerância, com a falta acesso aos direitos tem pressa de mudança. A sexualidade não é escolha. O respeito é.