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Clipping – G1 – Pandemia levou RJ a recorde de mortes em 2020, com alta de 19% em um ano, aponta levantamento

Pelos registros em cartórios, pandemia causou a morte de 30 mil pessoas, 2,5 mil mortes a mais que o divulgado pela Secretaria de Saúde. De novembro para dezembro, número de óbitos dobrou

Por causa da pandemia, 2020 foi o ano com mais mortes no estado do Rio de Janeiro desde o início da série histórica, em 1999. No total, 172 mil óbitos foram registrados no estado — 30 mil deles por Covid, segundo dados de cartórios.

Segundo levantamento ao qual o RJ1 teve acesso, nunca o aumento de mortes foi tão alto de um ano para outro. De 2019 para 2020, o número subiu 19%. A média histórica de variação anual de mortes era de 2,1% ao ano.

Também houve um grande salto nas mortes em casa: 22% a mais. A Associação Nacional dos Registradores diz que entre os motivos, houve o medo das pessoas de procurarem os hospitais para os tratamentos de rotina. E também a falta de leitos no Rio de Janeiro.

30 mil mortos por Covid ou suspeita

Pelos registros em cartórios, 30 mil pessoas morreram com Covid ou suspeita de ter contraído a doença, mais de 2,5 mil a mais que os números oficiais de óbitos divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (27.441).

Chama a atenção também o salto no número de mortes nos últimos meses do ano. Em novembro foram 2.418 mortes registradas nos cartórios por coronavírus. Em dezembro, 5.169 mortes — mais que o dobro do mês anterior.

Sempre que alguém morre, seja qual for a causa, é preciso fazer a certidão de óbito. Essa declaração é feita num cartório e o documento indica o motivo do falecimento, de acordo com o atestado do médico. O registro deve ser feito até 15 dias depois da morte.

Diferença nos números

Os cartórios afirmam que a diferença nos números de mortos por Covid, entre os registros no cartório e os divulgados pela secretaria, ocorre principalmente por causa dos casos suspeitos.

\”A diferença de dados entre o portal de transparência e o estado provavelmente se deve a dois fatores. Primeiro, no portal de transparência entram todos os termos: Covid, coronavírus, suspeita de coronavírus. E o estado, por exemplo, na suspeita de caso de coronavírus deve descartar alguns desses dados. E também tem o seguinte, o portal da transparência consolida os dados diariamente\”, explicou Humberto Costa, da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do RJ.

Desde junho do ano passado, o estado passou a confirmar mortes por Covid mesmo sem os exames que detectam a presença do vírus, como o PCR. Exames clínicos e de imagens podem ser usados para o diagnóstico.

O médico Alexandre Chieppe, da Secretaria Estadual de Saúde, diz que mesmo apontando Covid como causa da morte, alguns atestados são considerados incompletos. E esses casos não são investigados pela secretaria antes de entrarem na tabela de mortes por Covid. Por isso, a grande diferença entre os números.

\”Primeiro, que obviamente a notificação dos óbitos da Secretaria de Saúde tem um pequeno atraso quando comparado aos dados do cartório. Os dados do cartórios são praticamente em tempo real, uma vez que ele tira os dados a partir da declaração de óbito. Mas a questão mais importante não é essa. Nem todos os óbitos que entram como Covid, na verdade são de Covid. A declaração de óbito ela tem ali a hipótese de óbito, quando esse óbito vai ser investigado, quando essa ficha de óbito, que é a declaração de òbito vai ser investigada pela equipe técnica grande parte desses óbitos não preenche os critérios de definição de óbito por Covid, que é utilizado em nível nacional\”, disse Chieppe.

O médico admite que os casos atípicos podem ficar de fora da contagem oficial.

\”A gente tem que ter uma uniformidade de critérios em território nacional. Isso acontece sob risco de a gente perder alguns óbitos. Isso pode acontecer, aqueles quadros atípicos por exemplo de Covid, isso acontece com qualquer outra doença. Dados muito atípicos o sistema de vigilância não é capaz de pegar\”, disse Chieppe.

O professor Marcelo Medeiros, da PUC-RJ, que analisa dados de Covid, diz que a diferença ou a demora na entrada de dados no sistema pode atrapalhar o entendimento da evolução da pandemia.

\”Existe todo um atraso nesse processo de confirmação dos casos. Então, um caso pode vir a ser confirmado depois de o indivíduo já ter falecido. Isso pode ser uma das causas. A diferença nos critérios, mas isso sempre existiu\”, disse o professor.