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Clipping – Gazeta do Povo – Brasil teve 119 mil nascimentos a menos do que previsto por causa do Zika vírus

Estudo brasileiro calcula que 119.095 bebês não nasceram em 2016 devido ao medo dos pais das consequências do Zika vírus. A infecção, que chamou atenção no Brasil em 2015 pelo aumento no número de casos de microcefalia em bebês, foi possivelmente o principal receio dos brasileiros para postergar a gestação.

Divulgada pelo periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), e pelo site de notícias médicas Medscape, a pesquisa levantou dados de todos os estados brasileiros, além do Distrito Federal, e calculou o número de nascimentos previstos entre setembro de 2015 e dezembro de 2016. Com os dados, foi constatada a queda de 4,5% entre a previsão e os nascimentos que de fato ocorreram no mesmo período.

Como não havia evidências de aumento nas mortes fetais, a conclusão a qual chegou a equipe foi que as gestações nem chegaram a ocorrer, ou foram interrompidas. A diferença constatada entre a previsão e os nascimentos era de 119 mil partos.

Medo do Zika vírus

Embora a pesquisa não tenha realizado entrevistas com as mulheres e famílias para indicar as razões para a postergação da gravidez, outro estudo feito preliminarmente, de entrevistas conduzidas em 2016, sugeriam a relação com o Zika vírus.

Resultados preliminares de diferentes entrevistas sugeriram que as mulheres estavam postergando a gestação para evitar sequelas no nascimento relacionadas ao Zika vírus”, citam os pesquisadores no estudo.

O estudo também verificou diferenças nas quedas de nascimento conforme a região. Índices mais altos foram identificados nos estados de Pernambuco e Rio de Janeiro, onde 8,8 e 7,2, a cada 100 nascimentos, não foram observados. No país, em 2016, para cada 100 nascimentos, 4,2 não ocorreram.

No Paraná, entre 2015 e 2017, foram confirmados 6,1 casos de mulheres grávidas com suspeita de Zika vírus para a cada mil gestantes. No mesmo período, na Paraíba, foram identificados 758,8 casos.

  1. Zika vírus

Transmitida pelo mesmo mosquito da dengue, Aedes aegypti, o Zika vírus é descrito pelo Ministério da Saúde como uma doença febril aguda, que dura entre três a sete dias e, em geral, sem complicações mais graves.

Depois da epidemia da doença no Brasil em 2015, uma das sequelas mais importantes identificadas foi o nascimento de crianças com microcefalia, de mães que tinham sido infectadas pelo vírus durante a gestação.

Para prevenir, valem as mesmas medidas adotadas contra a dengue e a chikungunya: eliminação dos focos dos mosquitos. Não há, por enquanto, vacinas que visem à prevenção da infecção pelo Zika vírus.