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Clipping – JE Online – Mortes na cidade de São Paulo estão 28% acima da média histórica

O número de mortes na cidade de São Paulo disparou desde que foi declarada a pandemia do novo coronavírus até o dia 25 de abril, e está 28% acima da média histórica, de acordo com análise exclusiva feita para o G1 pelo epidemiologista Paulo Lotufo, da USP, utilizando como base dados tirados do Portal da Transparência do Registro Civil pelo engenheiro de software Marcelo Oliveira.

Para os especialistas, a percentagem revela a subestimação das estatísticas oficiais. O balanço leva em consideração os óbitos registrados entre 15 de março e 25 de abril, pois a primeira morte pela Covid-19 ocorreu em 16 de março.

Nesse tempo (15 de março e 25 de abril), em média 8.917 pessoas faleceram na cidade a cada ano entre 2016 e 2019. Em 2020, o número saltou para 11.417. Ou seja, 2,5 mil mortes a mais.

Das 2,5 mil mortes a mais, 1.114 foram oficialmente causadas pelo novo coronavírus. As demais 1.386 seriam por outras causas. Entretanto, para Lotufo, elas podem ter sido provocadas pelo vírus ou pelas implicações indiretas do impacto da Covid-19 na rede hospitalar. “A pandemia desequilibra o sistema de saúde”, afirmou o epidemiologista.

“[A pandemia] amplia as mortes por diversos outros tipos de doença, como ataques cardíacos ou acidentes vasculares cerebrais, além de gerar um custo também pelo adiamento no tratamento de doenças crônicas”.

Essa quantidade de mortes acima da média histórica é distinguida entre os epidemiologistas como “excesso de mortalidade por todas as causas”.

Fonte dos dados

De acordo com o Portal G1, para o cálculo ser realizado, foram usadas informações do Sistema Único de Saúde (SUS) para os anos de 2016 a 2018. Apenas no ano passado, período no qual os números ainda não estão concretizados, foram utilizados os dados também dos cartórios.

Além desse aviso metodológico (que pouco transforma a média), existe outro mais importante: o atraso nas informações disponíveis.

Ainda segundo o G1, há um prazo de 24 horas para familiares informarem mortes ao cartório, mais cinco dias para o registro do óbito, além de outros oito para tudo ser enviado à Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC Nacional).

No entanto, existe pelo menos duas semanas de defasagem entre os dados informados pelo Portal da Transparência dos cartórios e a realidade.

Em todo o estado de São Paulo, também em época de distanciamento social, houve diminuição de 31% nas mortes em acidentes de trânsito no período entre 24 e 31 de março e aumento de 23,3% nos casos de homicídio em março.