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Clipping – O São Gonçalo – Gonçalenses estrelam filme sobre direitos de pessoas trans

Documentário deve ser lançado em 2019

“Ninguém me chama de Pedro se eu sou Juliana. Por que com a pessoa trans seria diferente?”. O questionamento da jornalista Juliana Chagas norteia o enredo do documentário “Diga Meu Nome!”, ao qual dirige. O filme vai abordar os desafios enfrentados por travestis e transexuais para alteração do registro civil e de gênero em documentos oficiais. Com lançamento previsto para 2019 no canal fechado Cine Brasil TV, a produção da Goiabeira Filmes conta com duas gonçalenses: a roteirista Sandra Pereira e a personagem Diana Conrado.

Idealizado em 2015, quando Sandra cursava mestrado em Mídia e Cotidiano na Universidade Federal Fluminense (UFF), o documentário busca mostrar que, apesar dos avanços, o preconceito contra a população trans ainda é uma realidade que impede o acesso a direitos básicos - a começar pelo nome. As vivências serão relatadas por Diana Conrado, transexual de 21 anos, e Selem Rufino, 43, travesti.

“O filme é para todos. Vamos lembrar, pela voz das personagens, que ainda há muito a avançar. Somos o país que mais mata pessoas trans no mundo e que vive um momento muito perigoso, em que não há vergonha de fazer piadas perversas contra LGBT, contra negros; aliás, se machuca, não pode ser piada. É um ódio irracional contra tudo o que é considerado diferente. ‘Odeio e pronto!’. Ninguém pede para nascer e ser alvo de chacota e violência o tempo todo, de viver à margem, de sentir que não se encaixa desde a infância. ‘Diga meu nome’ quer mostrar que a pessoa trans acerta, erra, tenta sobreviver, se apaixona e sofre como qualquer pessoa”, explica Sandra, ‘cria’ da Parada 40.

As gravações têm ocorrido em São Gonçalo, Niterói e no Rio, locais que compõem o dia a dia das protagonistas. Selem, que é auxiliar de serviços gerais, mora na Favela da Rocinha, enquanto a estudante Diana, mora no Jardim Catarina.

Trabalho na luta por direitos

Ansiosa para iniciar o curso de Direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) no segundo semestre de 2018, Diana tem conciliado as gravações com uma rotina de estudo e palestras. A jovem de 21 anos está no terceiro período de Ciências Contábeis e ministra palestras em diversas cidades sobre a temática trans. Apesar da pouca idade, a trajetória até aqui foi marcada por obstáculos.

“Assim como muitas outras trans e travestis, tive que recorrer à Justiça para conseguir alcançar meu direito ao meu próprio nome. Levei três anos para emitir a nova certidão de nascimento e, a partir daí, procurar um órgão por vez para providenciar os demais”, conta Diana, que integrou a primeira turma do “Prepara Nem”, curso voltado à população LGBT para exames de vestibular e concursos públicos. Atualmente o preparatório é mantido pelo Grupo Diversidade Niterói (GDN), no Centro do município.

Um dos desafios da moradora do Jardim Catarina tem sido se desvencilhar da timidez frente às câmeras.

“Nunca fui o tipo de pessoa que quis aparecer, tampouco me via nesse lugar de protagonismo. Com o tempo, percebi tal necessidade devido à falta de representatividade das pessoas trans nos mais diversos espaços. Precisamos ocupar tais lugares. Os direitos adquiridos e dos quais eu posso desfrutar hoje são resultado de uma luta muito antiga, que contou com mortes e muitas outras vítimas de violência. Hoje temos datas como o Dia Estadual do Orgulho de ser Travesti e Transexual, comemorado em 15 de maio”, avalia.