Logo Arpen BR Horizontal

Ouvidoria

Home / Comunicação

Notícias

Com pandemia, Campinas registra alta de 23,5% nas mortes em um ano, diz associação de cartórios

Cidade teve 9,3 mil óbitos de qualquer natureza entre fevereiro de 2020 e março deste ano, período em que começou a lidar com Covid-19. Em relação à média desde 2003, crescimento foi de 40%

O primeiro ano da pandemia em Campinas (SP) resultou no aumento de 23,5% nas mortes de qualquer natureza registradas pelos cartórios da cidade. O total de 9,3 mil óbitos também é muito superior a qualquer ano da série histórica iniciada em 2003.

Segundo a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen), entre março de 2020 — quando Campinas registrou os primeiros casos e morte — e fevereiro de 2021 a cidade somou 9.345 óbitos. No mesmo período de 2019, o número de falecimentos registrados foi de 7.566.

A presidente da Arpen de São Paulo, Daniela Mroz, aponta que o aumento no período é muito superior ao observado entre um ano e outro na série histórica, já que, em média, a variação ficava entre 1,5%.

\”A gente teve um salto gigantesco. Mais de 20% é uma curva ascendente muito grande e a gente só pode atribuir justamente ao que vem acontecendo em relação à pandemia\”, analisa.

Os dados mostram, ainda, que o número de mortes é 41,5% maior que a média desde 2003, que é de 6.604. Como a variação natural entre um ano e outro é de 1,5%, o aumento considerado foi 40%, superior ao registrado no estado de São Paulo.

Em todo o estado, foram 368.533 mortes, 99.071, o que significa crescimento de 35,2% em relação à média para todas as cidades paulistas.

Vítimas da pandemia

Se a pandemia fez crescer o número absoluto de mortes na cidade, gerou também luto o trauma em diversas famílias. A contadora Márcia Santos entrou para a triste estatística após perder o pai e a mãe para a Covid-19.

O pai dela sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em 2 de fevereiro e foi hospitalizado. Ao dar entrada, fez exame para novo coronavírus, e deu negativo. No entanto, quando após se recuperar e ter alta, começou a ter sintomas que não tinham relação com o AVC.

\”Nós levamos para um outro hospital, que o levou direto para a UTI porque ele estava com Covid-19 e minha mãe nesse período também foi contaminada, falecendo um depois de três dias do outro\”, explicou a contadora.

A família inteira da técnica de enfermagem Andréa Araújo Silva acabou contaminada com Covid-19, mas o caso mais grave foi do marido dela, de 42 anos, que não resistiu.

\”A gente não estava saindo muito por conta de tudo que está acontecendo e os cuidados básicos que todo mundo deve tomar. Ele nunca saía sem máscara\”, lembrou a técnica.