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Elis Regina: 40 anos sem a maior intérprete da música brasileira

Sua vida pessoal, seu caminho artístico e sua jovem perda foram alguns dos assuntos comentados pelos especialistas entrevistados pela Arpen/SP.

 

O início de 1982 será lembrado para sempre pelos brasileiros, foi no dia 19 de janeiro desse ano que a cantora Elis Regina, no auge dos seus 36 anos, faleceu, deixando para seus familiares, amigos, fãs e para a mídia nacional uma memória que até os dias de hoje é difícil de ser esquecida. Durante sua carreira, que iniciou quando Elis tinha apenas 13 anos, a cantora eternizou com sua voz marcantes canções, entre as mais famosas estão Águas de Março, Como Nossos Pais e Fascinação.

 

Filha de Romeu de Oliveira Costa e de Ercy Carvalho, Elis Regina Carvalho Costa nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 17 de março de 1945. Em decorrência de sua carreira, que crescia rapidamente ao longo dos anos, Elis morou também no Rio de Janeiro e em São Paulo, estado este que residiu até o fim de sua vida. Iniciando na vida artística no começo da década de 60, a cantora construiu sua carreira nas bases da Ditadura Militar, período que teve início em 1964, com a tomada do poder pelos militares.

 

Elis é reconhecida como uma importante artista do movimento Contra a Ditadura, uma ação organizada por políticos, jornalistas e artistas com o intuito de reinstaurar a democracia no país. A música O Bêbado e a Equilibrista na sua voz é um importante marco deste movimento, sendo considerada por muitos como o “hino da anistia”, em alusão à Lei da Anistia, sancionada pelo então presidente João Batista Figueiredo em 1979, que autorizou o retorno dos exilados ao país.

 

O jornalista e crítico musical carioca Mauro Ferreira, que escreve sobre música para o portal G1, cita como um dos momentos mais marcantes da curta vida de Elis Regina a “vitória no I Festival de Música Popular Brasileira em 1965, com Arrastão; a gravação do álbum com Tom Jobim em 1974; a estreia do show Falso brilhante em 1975, com o disco em 1976; e a gravação do samba O Bêbado e a Equilibrista em 1979”.

 

A cantora incomparável

 

Uma intérprete de mão cheia, Elis Regina ficou famosa por cantar músicas de conhecidos compositores, angariando às suas canções um notório prestígio, e sendo eternizadas na voz da artista. Águas de Março, de Elis em parceria com Tom Jobim, foi composta por este; Madalena é de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza; O Bêbado e a Equilibrista foi composta por João Bosco, Aldir Blanc e demais escritores; e Como Nossos Pais é de Belchior.

 

Rubens Russomanno Ricciardi, compositor, maestro da USP Filarmônica e professor titular da Universidade de São Paulo, explica que Elis Regina não era compositora, mas sim cantora. “O legado, contudo, é sempre dos artistas da poíesis (compositores), não dos artistas da práxis (cantores, instrumentistas e regentes)”.

 

“O grande artista da práxis, como é o caso da Elis Regina, em sua incontornável idiossincrasia, sempre consegue apresentar as canções dos diversos autores de modo o mais expressivo, dinâmico, instigante, valorizando cada linguagem. Mas ainda assim, não deixa legado, porque não há nenhuma obra nova produzida por ela, apenas suas formidáveis interpretações e execuções de obras antes existentes”, esclareceu o professor. “Eu diria mais, nenhuma cantora de microfone brasileira chegou ao nível técnico-artístico da Elis Regina. Portanto, ela não deixou legado, nem sucessora, nem ninguém que lhe fosse comparável.”

 

Elis Regina foi ainda uma das grandes cantoras da Bossa-Nova: a canção popular moderna brasileira. Tom Jobim foi o grande compositor da Bossa Nova, sendo Heitor Villa-Lobos, Cláudio Santoro e Gilberto Mendes seus principais precursores. “O resultado foi um repertório de canções populares (sim, porque compositor e poeta também pertencem ao povo!), literalmente em tom brasileiro, com melodias as mais inspiradas e com uma harmonia tonal não funcional das mais inventivas do século XX. A Bossa Nova foi o último gênero da música popular brasileira, encerrando-a com chave de ouro”, disse Rubens.

 

40 anos sem Elis

 

Na manhã no dia 19 de janeiro de 1982, Elis Regina foi encontrada pelo namorado, o advogado Samuel MacDowell, caída no chão de seu apartamento. A cantora foi levada ao Hospital das Clínicas pelo companheiro, tendo chegado ao local já sem vida. Na certidão de óbito de Elis, sua morte consta ter ocorrido às 12h, ocorrida no próprio HC e citando a causa como indeterminada, assunto este que gerou diversos debates na época, com a mídia, médicos e familiares citando diferentes circunstâncias, como overdose, parada cardíaca e até mesmo acidente.

 

Por meio da certidão de óbito, solicitada pelo site RegistroCivil.org.br, uma plataforma gerida pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) que disponibiliza as segundas vias de certidões de nascimento, casamento e óbito, constata-se que o registro da morte de Elis Regina foi declarado por Rogerio Carvalho Costa, irmão mais novo da cantora.

 

Sepultada e enterrada no Cemitério do Morumbi, Elis era desquitada do músico Ronaldo Fernandes Esquerdo Bôscoli, pai de seu primeiro filho, João Marcello, que tinha 11 anos na época da morte da mãe, já Pedro Camargo e Maria Rita, ambos de sua segunda união, com o pianista César Camargo Mariano, tinham seis e quatro anos, respectivamente.

 

No dia de sua morte, Mauro Ferreira conta que houve grande comoção nacional, por, além de ter sido trágica, também ter ocorrido quando Elis estava no auge de sua carreira e com apenas 36 anos de idade. “Quando o rádio noticiou a morte dela, no início da tarde de 19 de janeiro, o Brasil entrou em choque. Toda a mídia, rádio, TV, jornal e revista, se ocupou do assunto com grande destaque”, disse o jornalista.

 

O professor Rubens conclui ainda que “a breve carreira de Elis Regina será sempre lembrada por suas gravações, com performances brilhantes. Não há um momento melhor ou pior em sua carreira, porque ela sempre manteve uma expressão diferenciada em todas suas apresentações”.

 

Clique aqui e confira a certidão de óbito de Elis Regina na íntegra.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação – Arpen/SP


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