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Jardineiro consegue primeira certidão de nascimento aos 51 anos e revela motivo que o levou a lutar por documento: ‘Quero me casar’

Jailson Jardas da Conceição Cruz disse que já rodou Brasil, foi internado e passou por cirurgia e nunca precisou de documento. Com certidão em mãos, ele acredita que casório saia em 2023.
 

O jardineiro Jailson Jardas da Conceição Cruz conquistou a primeira certidão de nascimento aos 51 anos de idade, em Goiânia, e relevou o motivo pelo qual quis correr atrás do documento depois de anos. Durante quase toda vida ele disse que não precisou apresentar identificação, mas, agora, quer se casar de “papel passado” e, para isso, precisava ter documentação. Com a certidão em mãos, ele acredita que casório saia em 2023.

 

“Eu já tive outras mulheres, mas nunca me casei. Agora, quero me casar de verdade, de ‘papel passado’. Agora, com o documento, pode dar certo em 2023”, disse o jardineiro.

 

Jailson conseguiu a certidão de nascimento na semana passada, após entrar em contato com o Centro de Atendimento Multidisciplinar (CAM) da Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO). Ele tomou a atitude depois que conheceu a namorada, Raimunda, em Goiânia, há cerca de três anos, e sentiu o desejo de oficializar a união.

 

Ao iniciar o processo para obter a identificação, Jailson conheceu a assistente social Laura Borges, do CAM, a quem ele revela ter profunda gratidão. Ele disse que a funcionária não se cansou até chegar à sua identidade dele. No entanto, não foi um trabalho fácil, porque o que ele informou à ela sobre própria história não ajudou muito inicialmente.

 

“Sou muito grato à Laura. Ela não só me ouviu, ela me deu ouvido. Ela não se cansou até encontrar”, agradeceu.
 
Rodou por Brasil sem documento

 

Ao g1, o jardineiro contou que nasceu em Castanhal, no interior do Pará, e foi entregue pelos pais biológicos para uma família adotiva. Aos 13 anos de idade, ele decidiu sair de casa após perder a avó e a mãe adotiva, que morreram de câncer.

 

Durante sua vida, ele andou por vários estados brasileiros e pelo Distrito Federal e conta que nunca precisou apresentar um documento para isso. Ele já passou por Rio de Janeiro, São Paulo, Acre, Rondônia, e outros.

 

“Nunca precisei. O Brasil é muito bagunçado. Em nenhum outro país eu viveria sem documento e aqui nunca precisei”, contou.

 

Ele conta ainda que, por viver sem vínculo familiar, já passou por situações difíceis e, em um período, disse que teve problema com drogas e chegou a ser detido por cerca de dois meses como usuário. Mesmo no presídio, Jailson conta que não precisou de documento “nem para entrar nem para sair”.

 

Jailson conta que, depois de perambular pelo Brasil, está vivendo em Goiânia há cerca de três anos, quando conheceu a atual namorada, com quem quer se casar.

 

Ele contou ainda que, aqui na capital de Goiás, sofreu um grave acidente em 2019, que quase o matou. Ele contou que atropelado na Avenida T-63 e perdeu parte do crânio. Nessa época, ele ficou dois meses em coma induzido durante internação em um hospital de Goiânia e passou procedimento cirúrgico, tudo sem nenhum documento.

 

“Perdi quase metade do meu cérebro. Eu sou um milagre ambulante”, disse.

 

Busca por documento com Defensoria

A assistente social Laura Borges, do CAM, relata que Jailson procurou a DPE-GO em 2019 e, na época, contou que tinha nascido em Santa Maria do Pará e deu um sobrenome errado. Com isso, as buscas não tiveram sucesso.

 

Laura contou que o jardineiro voltou a procurar o CAM no dia 25 de novembro deste ano. Nessa ocasião, ele deu mais detalhes sobre sua vida e, desta vez, a assistente social conseguiu avançar na busca pelos documentos de Jailson.

 

Ele contou que revelou à Laura que estudou por um breve período em uma escola adventista de Castanhal, no Pará. Com essa informação, Laura teria entrado em contato com o colégio e conseguido as informações sobre o jardineiro.

 

Com a ajuda do colégio, Laura obteve informações sobre o local de nascimento de Jailson que a escola tinha como registro. Nos dados, constava que ele nasceu em Castanhal e não em Santa Maria do Pará, como ele achava inicialmente. O registro também apontou que o sobrenome dele é Jardas, e não Jardes, como imaginava o jardineiro.

 

“A Laura não deixou a minha história de lado. Ela foi atrás do colégio onde estudei e conseguiu as informações. Às vezes, eu nem acredito que é verdade. Mas estou feliz por ter um documento agora”, disse.

 

Ainda segundo o jardineiro, após obter a certidão de nascimento, ele já deu entrada no processo para conseguir o Registro Geral (RG) e o Cadastro de Pessoa Física (CPF).

 

Fonte: G1 GO