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Jornal de Brasília – Número de mães solo cresce no DF


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Levantamento realizado pelo IBGE constatou que, somente no DF, existiam 197.952 famílias formadas somente por mulheres e seus filhos

 

“O que eu tenho hoje é o amor mais puro e verdadeiro, é o amor de mãe e filha”, afirma Daniele Oliveira. Aos 41 anos, ela é uma das brasilienses que criam seus filhos sozinhas. Até 2017, um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), constatou que, somente no DF, existiam 197.952 famílias formadas somente por mulheres e seus filhos, o que representa 19,2% de todos os tipos possíveis de arranjos familiares.

 

Como conta a secretária, que é mãe de duas meninas, a decisão veio após se ver em um relacionamento infeliz e sem estrutura. “Eu havia passado a gravidez toda sozinha, então não precisava me submeter a estar em um lugar que não me fazia bem”, compartilha a moradora de Sobradinho DF. Assim como Daniele, essa é a realidade de muitas outras mulheres na capital. Uma outra pesquisa, desta vez realizada pelos Cartórios de Registro Civil do Distrito Federal, apontou que, nos quatro primeiros meses deste ano, foram registradas 924 crianças somente com o nome materno, o maior número percentual para o mesmo período desde 2018.

 

O levantamento está disponível no novo módulo do Portal da Transparência do Registro Civil, denominado Pais Ausentes, lançado no mês de março, e que integra a plataforma nacional, administrada pela Arpen. Ele reúne as informações referentes aos nascimentos, casamentos e óbitos registrados nos 7.654 Cartórios de Registro Civil do Brasil, presentes em todos os municípios e distritos do país.

 

Tais dados inéditos recebem ainda mais atenção quando se observa que, esse ano, foi registrado o menor número de nascimentos para o período, totalizando 15.526 recém-nascidos. Diante disso, constata-se que 5.95% do total de recém-nascidos no DF tem apenas o nome da mãe em sua certidão de nascimento.

 

Quando comparado com o mesmo período de 2018, onde nasceram 17.980 crianças e 1.022 delas foram registradas somente com o nome da mãe, o número de mães solos diminui 98 registros,porém houve aumento proporcional de 0,24% no número de mães solo. “O crescimento do número de mães solo mostra a necessidade de um trabalho de conscientização dos pais, que são igualmente responsáveis pela criação de seus filhos, tanto no que se refere ao amor, como também às responsabilidades”, aponta Gustavo Renato Fiscarelli, presidente da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil).

 

Conforme pondera o presidente, com a divulgação desses dados é possível analisar de forma mais ampla e concreta o total de crianças registradas apenas com o nome da mãe “e, posteriomente, embasar a criação de medidas e políticas públicas que atendam as demandas e solucionem os problemas desse público”, declara o titular.

 

Reconhecimento de paternidade

 

Assim como Daniele, quem também enfrentará, nos próximos meses, a jornada de chefiar uma casa sozinha é Priscila Ferreira, de 29 anos. A moradora do Noroeste conta que engravidar não estava nos seus planos, mas um encontro ‘casual’, como ela descreve, mudou o seu futuro. “Foi com uma pessoa com quem já me relacionei. Por razões de saúde, não posso tomar anticoncepcional. Tomei a pílula do dia seguinte, mas não funcionou”, diz a empresária. Apreensiva com a vida de mãe, Priscila conta que, no momento, o que mais a incomoda são questões relacionadas à paternidade da criança. “Aparentemente, para os homens, só virá filho depois que nasce. Somos nós, mulheres, que passamos pelos altos e baixos da gestação”, acrescentou.

 

Entenda

 

Desde 2012, com a publicação do Provimento no. 16, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o procedimento de reconhecimento de paternidade pode ser feito diretamente em qualquer Cartório de Registro Civil do país. Aqui, não se faz necessária a decisão judicial nos casos em que todas as partes concordam com a resolução.

 

Nos casos em que seja do próprio pai, basta que ele compareça ao cartório com a cópia da certidão de nascimento do filho, sendo necessária a anuência da mãe ou do próprio filho, caso ele seja maior de idade. Quando o filho é menor, é preciso a anuência da mãe, e caso o pai não queira reconhecer o filho, a mãe pode fazer a indicação do suposto pai no próprio Cartório, que comunicará aos órgãos competentes para que seja iniciado o processo de investigação de paternidade.

 

Além disso, também é possível, desde o ano de 2017, realizar em Cartório o reconhecimento de paternidade socioafetiva, ou seja, aquele onde os pais criam uma criança mediante uma relação de afeto, sem nenhum vínculo biológico, desde que haja a concordância da mãe e do pai biológico.

 

Nestes casos, é de responsabilidade do registrador civil atestar a existência do vínculo afetivo da paternidade ou maternidade, e isso se dará mediante apuração objetiva por intermédio da verificação de elementos concretos. São eles, inscrição do pretenso filho em plano de saúde ou em órgão de previdência, registro oficial de que residem na mesma unidade domiciliar, vínculo de conjugalidade (casamento ou união estável) com o ascendente biológico.

 

Todo apoio é bem vindo

 

Por mais que esse cenário seja cada vez mais comum, vale destacar que criar um filho sozinha não é algo fácil e, nestes casos, todo apoio e amparo é necessário. Como esclarece Thamiris Dias, psicóloga clínica e especialista em saúde da mulher, a maternidade pode ser um acontecimento traumático na vida da mulher.

 

“Traumático no sentido de ruptura, de quebra, de uma vida que jamais será a mesma, exigindo da mulher grande adaptação e até mesmo um processo de luto dessa vida que não existirá mais”, afirma a especialista.

De acordo com a profissional, nesse sentido, ser mãe solo torna esses processos ainda mais intensos, já que não se tem com quem dividir as dificuldades, momentos e o cuidado com a criança.

 

Por essa razão, Thamiris destaca a importância de uma rede de apoio. “O que muitas mães solo sentem, principalmente as que não possuem uma rede de apoio e suporte, é a solidão. Essa solidão pode trazer prejuízos significativos na vida dessa mulher, como dificuldade de retomar ao trabalho, a vida social, ouvir julgamentos externos sobre sua conduta como mãe etc, o que pode ocasionar em sofrimento psíquico para essas mulheres”, acrescenta a psicóloga.

 

Amparo, felizmente, é o que não falta para Priscila. Mesmo com medo do que estar por vir, e tendo sido pega de surpresa pela gestação, a autônoma diz ter recebido muito apoio da família e amigos. “Acho que se não fossem eles eu não sei o que seria de mim, pois foram uns três meses de muito choro pra aceitar a gravidez”, conta. “Não era um sonho, hoje, ser mãe. Eu estava totalmente focada na minha carreira”, acrescentou. Mesmo fora dos planos, contudo, Priscila Ferreira diz estar focada, e mentalizando que será uma fase nova mas gostosa em sua vida. “Acredito muito nisso”, finaliza.

 

Conforme destaca Thamiris, um dos problemas mais recorrentes enfrentados por essas mulheres é o julgamento e, sobre isso, Daniele Oliveira entende bem. “Querendo ou não, a sociedade olha diferente para quem é mãe solteira”, diz. Conforme salienta a psicóloga, o necessário é quebrar o estereótipo de mãe solteira, e entender que, independente do caso, o que importa é o amor. “É importante saber que a mãe perfeita não existe, que cada mãe é a mãe que é possível de ser, a mãe suficiente para o seu filho”, pontua a profissional. “E para todos aqueles que não são mães, que fique o ensinamento de que todos nós somos enquanto sociedade, responsáveis pelas nossas crianças, assim não julguemos as mães, mas a apoiemos sendo rede de apoio sempre que possível”, argumenta.

 

Fonte: Jornal de Brasília