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TJ/AP: Relação de paternidade afetiva com 19 anos de existência é formalizada pela Justiça do Amapá

Depois de 19 anos de convivência mútua, mais uma família buscou os serviços da Justiça do Amapá para consolidar formalmente uma relação já existente de fato: neste caso uma paternidade afetiva. A família formada por Laércio Almeida Cardoso, sua companheira Márcia de Jesus Justo Basto e Thiago Fauzi Justo Basto foi objeto de mais um Reconhecimento de Paternidade Afetiva mediado pela equipe do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do 2º Grau, do Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), na última terça-feira (12).

Thiago é fruto de relacionamento anterior de Márcia de Jesus, mas Laércio o tem como filho desde o início da relação com sua mãe. “O tenho como filho e ele me tem como pai, então foi uma oficialização de algo já muito real em nossas vidas. Por onde andamos todos já sabem que Thiago é meu filho e eu sou pai dele, mas agora esta relação existe legalmente”, declarou Laércio.

Márcia, que chegou a se emocionar durante a audiência, expressou sua felicidade por ver a família agora oficialmente constituída. “É um dia de muita alegria quando formalizamos uma longa relação, já com quase 20 anos, sempre marcada por muito amor, carinho e cuidado de um com o outro. É tanto tempo de convivência que o filho já adquiriu as maneiras, os gestos e as características do pai”, registrou Márcia.

A mãe declarou também seu desejo de que mais famílias possam usufruir deste serviço e oficializem suas situações. “Muitas vezes os relacionamentos chegam a acabar e as crianças afetadas pela relação acabam perdendo as referências que adquiriram depois de tanto tempo, e um gesto como esse, de oficializar o que já existe de fato, ajuda a conservar a relação dos filhos com os pais”, considerou Márcia.

Thiago registrou sua gratidão pela oficialização da situação familiar, ato que acrescenta o sobrenome Guerra a seus documentos, mas explicou que no dia a dia pouca coisa vai mudar. “O amor, o carinho e nossa relação continuam os mesmos, fortes como sempre, pois sempre foi uma relação de pai e filho mesmo”.

Laércio reiterou o desejo de sua companheira Márcia, de que mais famílias se beneficiem com este serviço. “É sempre melhor garantir o reconhecimento oficial do que, lá na frente, precisar de um ato mais complicado para que se reconheçam os direitos que os dois, no nosso caso pai e filho, têm”, complementou.

Segundo a mediadora Nilce Ferreira, supervisora do Programa Conciliação Itinerante, o atendimento começou ainda na sexta-feira passada (08) na Igreja N. Sra. Do Perpétuo Socorro, mas a chuva intensa e a queda do sinal de internet obrigaram a equipe a adiar a resolução para esta terça-feira. “O Reconhecimento de Paternidade Socioafetiva integra os serviços contemplados pelo Cejusc no âmbito da Cidadania, e possibilita que um pequeno detalhe, como o sobrenome no documento, preencha aquela lacuna para o pleno e oficial reconhecimento do vínculo”, concluiu.