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TJDFT – Adoção tardia e de grupos de irmãos: o que é preciso saber


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Supervisor da área de adoção da VIJ-DF responde às principais dúvidas sobre o tema em entrevista

 

Crianças mais velhas, adolescentes e grupos de irmãos integram o perfil menos buscado por quem adota no DF. Se de um lado 85% das quase 600 famílias habilitadas buscam crianças com até 3 anos, de outro 90% dos 116 meninos e meninas cadastrados para adoção têm idade superior à desejada. Os grupos numerosos de irmãos somam-se ao perfil recorrentemente rejeitado pelas famílias. Cerca de 70% até aceitam acolher mais de um filho, no entanto, o número cai para 20% quando se trata de grupos a partir de três crianças ou adolescentes.

 

Para aumentar as chances desses meninos e meninas que não correspondem ao perfil desejado pelos pretendentes habilitados no Sistema Nacional de Adoção (SNA), a Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal (VIJ-DF) criou o Em Busca de um Lar. Em sua terceira fase, a iniciativa procura uma família para quem já passou da idade mais desejada pelos pretendentes, para grupos de irmãos, crianças e adolescentes com deficiência ou problemas de saúde, os perfis menos buscados no acolhimento adotivo.

 

O psicólogo Walter Gomes, supervisor da Seção de Colocação em Família Substituta da VIJ-DF (SEFAM/VIJ-DF), esclarece nesta entrevista os principais pontos da adoção tardia e de grupos de irmãos.

 

1 – O que diferencia a adoção de uma criança do perfil clássico da adoção de um adolescente ou de um grupo de irmãos?

 

Qualquer adoção deve estar assentada em legítimas razões e garantir o bem-estar superior do adotando. O fio condutor de qualquer adoção deve ser o princípio do amor incondicional e o desejo de exercer uma paternidade ou maternidade responsável. Evidentemente que o perfil do adotando poderá impor maiores desafios e exigir mais disponibilidade dos requerentes.

 

O perfil clássico da adoção, que envolve crianças de tenra idade, é com certeza a modalidade mais procurada e a que, via de regra, não apresenta quaisquer riscos de eventual desistência por parte do postulante. Por outro lado, a adoção de natureza tardia, que envolve crianças de faixas etárias avançadas, adolescentes ou pré-adolescentes, é uma modalidade que exigirá maior engajamento e proatividade do postulante. Diferentemente de um bebê, as crianças maiores, pré-adolescentes ou adolescentes já apresentam padrões de comportamentos e de sentimentos estabelecidos, gostos e preferências já constituídos, maior capacidade de autonomia e criticidade.

 

Em razão disso, a adaptação e a construção dos vínculos de afetividade e de parentalidade demandarão maior tempo e mais investimentos psicoafetivos. Não raro, alguns postulantes acabam desistindo e optando pelo arquivamento do processo de adoção. Ser pai ou mãe por adoção resulta de uma construção diária, em que as trocas afetivas, a dedicação, a entrega, a responsabilidade e o cuidado fazem parte de um processo ininterrupto de sedimentação do pertencimento familiar.

 

2 – Quais são os impedimentos mais apresentados a essas duas formas de adoção?

 

São impedimentos para qualquer tipo de adoção a falta de motivação adequada; o ambiente familiar incompatível com a natureza da medida; a incapacidade afetiva; não apresentar potencial para o exercício das funções paternas ou maternas; não demonstrar que o projeto de adoção é prioridade na agenda de vida da família; confundir adoção com apadrinhamento afetivo ou assistência social.

 

3 – O que deve ser ponderado pelas famílias antes de adotar?

 

Primeiro, qual o lugar que o adotando ocupará na vida da família. Segundo, qual o nível de motivação e de disponibilidade existente para investir na construção de vínculos parentais e filiais. Terceiro, a que o postulante está disposto a renunciar para concretizar o projeto de adoção. Quarto, se o desejo pela adoção é compartilhado por todos os entes parentais, se todos estão engajados e motivados. Por fim, se existe uma rede familiar de apoio e cooperação para o sucesso da adoção.

 

4 – Quais os principais desafios para concretizar as adoções de adolescentes e de grupos de irmãos?

 

Os principais desafios são ter disponibilidade e capacidade de investimento na alimentação dos vínculos de afeto e de confiança e aceitar a história de vida do adotando, não querendo adestrá-lo ou engaiolá-lo em supostos padrões de aceitabilidade social ou familiar. Ainda é necessário não transformar crises e desentendimentos inerentes ao processo de construção de laços parentais em motivos escapistas para a desistência e não incorrer na tentação de querer reduzir o adotando, que é um sujeito de direitos, a um mero objeto que pode ser descartado ao sabor das circunstâncias. É preciso compreender ainda que adoção não é um ato, é um processo, portanto algo que faz parte de uma lenta e gradativa construção que envolve amor, dedicação, entrega e intenso desejo de estar juntos e dar certo.

 

5 – Qual a importância da rede de apoio em uma adoção?

 

A rede de apoio é indispensável para o sucesso de qualquer adoção. Ela garante o estímulo, o bom conselho, o compartilhamento de sentimentos, a retaguarda nos momentos de cansaço e dúvidas, o fomento a reflexões e a tomadas de decisão. Uma eficaz rede de apoio contribui enormemente para o aprofundamento dos vínculos de afeto e para o fortalecimento dos papéis parentais.

 

6 – Existe um perfil mais recorrente de quem opta pela adoção de adolescentes e grupos de irmãos?

 

O postulante que se abre para essa modalidade de adoção, via de regra, apresenta um conjunto pronunciado de determinadas características: disponibilidade emocional e psíquica para se entregar ao processo de construção de vínculos; clareza e convicção quanto ao perfil desejado; compreensão das implicações e dos desafios presentes em uma adoção tardia; disposição para procurar todos os recursos possíveis para que as dificuldades e intercorrências sejam superadas e a adoção se cerque de segurança e adequação; conta com uma forte e densa rede de apoio e não hesita em acioná-la quando necessário; não confunde adoção com “test drive” e não admite que a desistência seja cabível em um projeto de adoção. Este é o lema desse candidato: “Desistir, nunca. Recuar, jamais!”.

 

Fonte: TJDFT