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G1 – Diferença entre mortes e nascimentos no 1º semestre de 2021 é a menor desde 2003 em Sorocaba, diz Arpen

Para especialista, queda brusca na diferença entre mortes e nascimentos pode causar impactos significativos a médio e longo prazo. Pandemia também terá consequências no perfil da sociedade ao longo dos anos. 

 

A diferença entre o número de mortes e o de nascimentos em Sorocaba (SP) durante o primeiro semestre de 2021 é a menor desde 2003, segundo dados divulgados pela Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen). 

 

De janeiro a junho de 2021 foram registrados 4.705 nascimentos e 4.426 mortes* na cidade, com uma diferença de 279 nascimentos a mais. O número representa o menor crescimento vegetativo da população em um semestre desde 2003, quando os dados começaram a ser contabilizados pelo Portal da Transparência do Registro Civil. 

 

De acordo com a Arpen, a diferença sempre se manteve na média de 2.558 nascimentos a mais. Se comparado a 2021, houve uma redução de 89,1% na variação em relação à média histórica. Em relação ao ano de 2020, a queda foi de 89,3%. 

 

Para o professor Vidal Dias da Mota Júnior, que é doutor em ciências sociais pela Universidade de Campinas (Unicamp), a queda brusca na diferença entre mortes e nascimentos pode causar impactos significativos a médio e longo prazo. 

 

A queda no número de casamentos é outro fator que chama a atenção. No primeiro semestre, a cidade registrou o sétimo menor número de casamentos desde 2003. 

 

Até junho de 2021, foram registrados 1.863 casamentos civis, número 8,9% maior que os 1.711 matrimônios realizados em 2020, mas ainda 24% menor que os 2.452 casamentos celebrados em 2019. 

 

Vidal cita o exemplo do fim da gripe espanhola, quando houve um aumento considerável no número de casamentos, o que resultou em uma taxa de natalidade maior também. “A história mostra essa recuperação e creio que possa ser o cenário após a pandemia”, diz. 

 

No entanto, essa característica de aumento da natalidade de forma pontual também pode gerar impactos na sociedade. 

 

“Em um período de dez ou até cinco anos, nós já vamos conseguir ver um aumento no número de crianças, o que impacta diretamente no sistema de ensino da cidade e também no mercado de trabalho, uma vez que a população economicamente ativa será menor”, explica. 

 

Para o professor, os altos índices de mortalidade também rompem e impactam a perspectiva do aumento da expectativa de vida, que gira em torno de 75 anos atualmente no país. 

 

Os vazios demográficos podem ser observados durante outras pandemias e também em situações de guerra, como no caso da Europa e do Japão, onde o perfil da população se torna muito mais reduzido, explica o professor. 

 

Durante o primeiro semestre deste ano, a cidade também presenciou um momento de déficit demográfico, que é o termo usado para definir o crescimento vegetativo negativo, ou seja, taxa de mortalidade maior do que taxa de natalidade. 

 

Em abril de 2021, o número de mortes foi 24% maior que o número de nascimentos. Do dia 1º ao dia 30, foram 198 óbitos a mais do que nascimentos. No mesmo período de 2020, foram 406 nascimentos a mais do que óbitos. 

 

Além disso, quanto ao número de nascimentos, apenas um mês conseguiu superar os registros de 2020. Em maio de 2021, 870 pessoas nasceram em Sorocaba, enquanto no mesmo período de 2020 o município registrou 826 nascimentos. 

 

No restante dos meses, houve queda de até 23% no número de nascimentos. Já com relação às mortes, todos os meses do 1º semestre de 2021 superaram os de 2020, sendo que abril lidera o ranking com o maior aumento, cerca de 138% comparado ao mesmo período do ano passado. 

 

Mudanças de comportamento e perfil da sociedade 

 

Os impactos gerados pelo aumento no número de mortes com relação aos nascimentos podem causar mudanças de comportamento e no perfil da sociedade, de acordo com Vidal. 

 

“O fato é: os números são assustadores e não são pontuais. Nós estamos falando de um semestre inteiro que cria uma lacuna em termos da dinâmica da população. Isso impacta várias instituições da nossa sociedade, desde educação até mobilidade e lógica do trabalho”, explica. 

 

O professor reforça pontos que a pandemia trouxe à tona e que podem contribuir para essa mudança no perfil sociológico da cidade. 

 

“Temos questões importantes, que serão levadas para frente e melhor direcionadas. Uma delas é a questão sanitária, que deve ser olhada com mais atenção por parte das instituições”, comenta. 

 

No entanto, nem todos os pontos são positivos. Além da atenção à saúde e o desenvolvimento de um olhar mais empático com relação ao próximo, a pandemia também enfatizou vulnerabilidades que devem perpetuar pelos anos seguintes. 

 

“Ainda enfrentamentos muito, principalmente no Brasil, o baixo nível educacional da população, além da vulnerabilidade ao negacionismo e outras questões. E isso ainda certamente vai perpetuar por muito tempo. É uma realidade triste, mas que precisa ser combatida”, diz. 

 

*A base de dados é abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos registrados nos Cartórios de Registro Civil do País. Os números ainda podem ser alterados, uma vez que o Portal da Transparência do Registro Civil tem um prazo legal de até 14 dias para lançar os registros de óbitos na plataforma. 

 

Fonte: G1 – Sorocaba e Jundiaí 


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